Em tempos de Venezuela, por que é essencial assistir a “SIMÓN”?
- Geisel Ramos

- 5 de jan.
- 3 min de leitura
Na madrugada do último 03 de janeiro de 2026, com muitos ainda tomando ciência de que o calendário virou para seguirmos rumo a mais uma nova translação ao redor do Sol, o mundo assistiu, entre atônito e incrédulo, a uma operação digna de cinematografia, mas que ante os desdobramentos de como as questões geopolíticas planetárias vêm se desenrolando nos tempos mais recentes, assinalou o (quase) ato final do governo de Nicolás Maduro na vizinha Venezuela que já vinha se anunciando desde os derradeiros meses de 2025.
Em pouco menos de dois minutos, militares da Força Delta, a principal unidade antiterrorista dos EUA, adentraram nos confins de uma instalação nas cercanias da capital Caracas e realizaram a extração do mandatário e de sua esposa, Cilia Flores, levando-os via helicóptero para o porta-aviões Iwo Jima, que há dias estava à bordas da costa venezuelana, compondo um aparato militar nunca dantes visto em águas caribenhas.
Maduro foi primeiramente conduzido para a base naval dos EUA de Guantánamo, em Cuba, e de lá seguiu para uma prisão no Brooklin, em Nova York, onde na data de hoje, 05 de janeiro, compareceu perante um tribunal em Manhattan, declarando-se inocente das acusações de narcoterrorismo.
Sua captura não sacramenta o fim do regime que ele comandou, o que legitima o “quase” usado no primeiro parágrafo acima. Ainda há muito a se apurar em termos de sua influência na máquina administrativa da Venezuela, nos três poderes constituídos, nas forças armadas, no ensino universitário, na imprensa, nos conselhos populares existentes em todo o país.
Porém mais do que isso, resta dimensionar a extensão do terror que a presença de Nicolás Maduro, enquanto presidente, causou logo após sua chegada ao poder, na sequência da morte de Hugo Chavez, seu padrinho político. Relatos documentados dão conta de milhares de presos políticos, centenas de mortos em protestos, dezenas de milhares de vítimas de tortura, oito milhões de exilados no estrangeiro (!) e quase toda a população vivendo abaixo da linha de pobreza, alguns na miséria extrema. Em suma, uma nação profundamente ferida e que enfrentará uma longa jornada para se recuperar.

Num dos poucos exemplares que a Sétima Arte pôde trazer sobre este quadro caótico, o filme "SIMÓN" (Venezuela/Estados Unidos. Ano: 2023. Duração: 99 minutos. Direção: Diego Vicentini) mostra a saga de um personagem que corporifica a sina de milhões de venezuelanos que foram obrigados a deixar seu país para escaparem da perseguição política ou de algo ainda pior.
O protagonista, homônimo do título, é um exilado em Miami, e tenta sobreviver nos EUA entre dificuldades de adaptação à nova realidade e visitações de fantasmas passados, oriundos de sua atuação em um movimento estudantil que organizava manifestações contra o governo bolivariano.
Nesta corda-bamba existencial, Simón se embrenha cada vez mais em direção a um acerto de contas com sua história sofrida e mal resolvida, assim como são as histórias de muitos compatriotas seus, tanto aqueles encarnados na película em questão como na vida real, dentro ou fora da Venezuela.
Baseado em eventos reais, SIMÓN impressiona pela crueza como dialoga direto com o espectador, numa trama que alterna passado e presente, onde os fatos vão se completando e se justificando, o que lhe garantiu indicações para o Prêmio Goya 2024 (Melhor Filme Ibero-americano) e para o Prêmio Platino 2024 (Melhor Filme de Estreia).
Segue abaixo o trailer oficial inglês e espanhol para a Netflix (onde o longa pode ser assistido no momento, legendado em português).
Fonte, Matéria e Produção: Geisel Ramos
Publicação: Geisel Ramos








Filme excelente, que retrata muito bem a realidade vivida pelo povo Venezuelano, num momento tão importante para as pessoas compreenderem o cenário e quem estar por trás dessa ditadura maldita (Cuba).